Magma Transações Societárias Panorama trimestral · 2T26

Panorama Macroeconômico, Político e Mercado de M&A

Projeções dos grandes bancos como estavam no fechamento do 2º trimestre de 2026, com leitura da Magma para quem compra e vende empresas.

Janela temporal da análise2º Trimestre de 2026 (abril a junho)
Projeções vigentes em30 de junho de 2026
Bancos e casas analisadosItaú, Bradesco, BTG Pactual, XP, J.P. Morgan e Focus

O 2T26 terminou com o petróleo de volta ao nível pré-guerra, mas os juros não acompanharam: o Fed passou a cogitar alta e o Copom se aproximou do fim dos cortes. No M&A, menos negócios e cheques maiores.

Fed Funds
3,50–3,75%
Mantido em 17 de junho; mediana do dot plot sobe para 3,8% no fim de 2026
Brent
US$ 72
Em 25 de junho, abaixo do pré-guerra, após acordo EUA–Irã reabrir Ormuz
Selic
14,25%
Terceiro corte seguido, em 17 de junho; Focus vê 14,00% no fim do ano
IPCA 2026 · Focus
5,33%
Acima do teto de 4,50%; eram 4,86% no fim de abril
Dívida bruta
81,1%
do PIB em maio, maior nível desde outubro de 2022
M&A até maio
R$ 149,1 bi
499 transações: −34% em número, +9% em valor (TTR Data)

O trimestre em seis datas

ABRMAIJUNJULJanela do relatório: 2T2620/abrUSA Rare Earth compraSerra Verde: US$ 2,8 bi29/abrCopom corta Selicpara 14,50%13/maiAmaggi assina comprade 40% da FS14/junAcordo EUA–Irãreabre Ormuz17/junFed mantém juros; Copomcorta Selic a 14,25%25/junBrent volta aopré-guerra
Principais eventos de abril a junho de 2026 para juros, petróleo e M&A.
“

O choque do petróleo passou; o do custo de capital, não. Com juro real acima de 9%, o comprador de 2026 paga por previsibilidade, não por promessa.Leitura Magma

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Cenário Global: Ormuz reabre, mas o Fed muda de tom

A guerra no Golfo dominou o trimestre até o acordo de 14 de junho. Quando o petróleo cedeu, a inflação americana já havia mudado o discurso do Fed.

Brent: do prêmio de guerra ao nível pré-conflito

Cotações de referência no trimestre, em US$ por barril

708090100Pré-guerra (27/fev): US$ 73,5Picos acima de US$ 116 entre março e maio17/abr: US$ 89,403/jun: US$ 97,711/jun: US$ 93,014/jun: US$ 83,825/jun: US$ 72,2US$ 89,417/abrUS$ 97,703/junUS$ 93,011/junUS$ 83,814/junUS$ 72,225/junABRMAIJUN
O barril superou US$ 116 no auge da crise, entre março e maio. Fontes: agências de mercado e relatórios setoriais de energia.

Federal Reserve: estreia de Warsh, viés de alta

  • O FOMC manteve os Fed Funds em 3,50%–3,75% em abril e em 17 de junho, primeira reunião de Kevin Warsh como presidente, por 12 votos a 0.
  • O comunicado retirou a sinalização de cortes. A mediana do dot plot subiu para 3,8% no fim de 2026 (ante 3,4% em março), e 9 dirigentes passaram a ver ao menos uma alta.
  • O PCE cheio chegou a 3,8% em abril, maior desde 2023 (BTG). O mercado passou a precificar alta até outubro.
  • Para o Brasil: juro americano maior por mais tempo reduz o diferencial de juros e pesa sobre o real.

Geopolítica e commodities

  • O conflito EUA–Irã, iniciado em 28 de fevereiro, restringiu o Estreito de Ormuz por mais de três meses, rota de cerca de 20% do petróleo global.
  • No auge, o Citi chegou a traçar cenário de US$ 150 por barril. O acordo de 14 de junho derrubou o Brent para US$ 83,75 no dia.
  • Em 25 de junho, o barril voltou a US$ 72, abaixo do nível da véspera da guerra.
  • O Brasil saiu como exportador líquido de energia: produção recorde de 4,3 milhões de barris/dia em abril e superávit comercial projetado de US$ 85–90 bi (XP e BTG).

Motores corporativos: tecnologia sustenta o crescimento

  • O investimento em tecnologia e IA respondeu por 1,6 p.p. do crescimento dos EUA no 1T26, principal vetor da economia americana (BTG).
  • O M&A global caminha para cerca de US$ 4 trilhões em 2026, um dos melhores ritmos desde o pico de 2021.
  • Na Europa, o choque de energia pressionou mais os preços que a atividade, e o BCE passou a sinalizar alta de juros.
Leitura Magma

A geopolítica deixou de ser o principal risco no fim de junho, mas o juro global ficou mais alto. Para valuations no Brasil, isso mantém taxas de desconto elevadas mesmo com o petróleo mais barato.

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Cenário Doméstico: atividade, política e fiscal

O Brasil cresceu acima do esperado no início do ano, com impulso fiscal e de crédito, mas a inflação subiu, as expectativas pioraram e a dívida avançou.

Focus no 2T26: inflação e juros esperados para cima

Mediana do Boletim Focus para 2026 nas edições disponíveis do trimestre

IPCA 2026 (%)Selic no fim de 2026 (%)Teto da meta: 4,50%27/abr: 4,86%04/mai: 4,89%18/mai: 4,92%25/mai: 5,04%01/jun: 5,09%08/jun: 5,11%15/jun: 5,30%22/jun: 5,33%29/jun: 5,33%4,86%5,33%27/abr29/junSelic vigente desde 17/jun: 14,25%01/jun: 13,25%08/jun: 13,50%15/jun: 13,75%22/jun: 14,00%29/jun: 14,00%13,25%14,00%01/jun29/jun
Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim Focus. O IPCA de 2026 subiu por 15 semanas seguidas até 22 de junho.

PIB e inflação

  • O PIB cresceu 1,1% no 1T26 sobre o trimestre anterior, puxado por consumo e investimento. O Focus de 29 de junho projeta 1,99% em 2026.
  • O IPCA subiu 0,58% em maio e chegou a 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta.
  • O Copom projeta IPCA de 5,2% em 2026; os bancos estão entre 5,3% e 5,5%.
  • A confiança da indústria (FGV IBRE) subiu a 100,1 pontos em junho, com a distensão no Oriente Médio, e o uso da capacidade instalada foi a 83,0%.

Panorama político e regulatório

  • Pré-campanha: o Datafolha de 17 a 19 de junho mostrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 31% no 1º turno, e 47% a 43% no 2º turno, empate técnico. Em abril, o senador liderava a simulação por 46% a 45%.
  • Escala 6×1: a Câmara aprovou no fim de maio a PEC que encerra a escala. No Senado, a votação tende a ficar para depois da eleição. A indústria estima alta de preços de 6% a 8%; o BTG vê risco de cerca de 0,3 p.p. no IPCA de 2027.
  • Relação entre Poderes: o Senado rejeitou em 29 de abril a indicação de Jorge Messias ao STF, sinal de atrito entre Executivo e Congresso.
  • Percepção externa: o fluxo cambial do ano até maio somou US$ 14 bi, o maior em nove anos (BTG), mas o Itaú aponta o ciclo eleitoral como fator de pressão sobre o real.

Fiscal, Selic e câmbio

  • A dívida bruta chegou a 81,1% do PIB e a líquida a 67,9% em maio. Os juros nominais somam 8,48% do PIB em 12 meses, e o déficit primário, 1,14%.
  • As medidas parafiscais desde meados de 2025 já somam cerca de R$ 275 bilhões, com R$ 142 bi adicionais na economia em 2026 (BTG). O Itaú estima que estabilizar a dívida exige ajuste de cerca de 4 p.p. do PIB.
  • O Copom cortou a Selic de 15% para 14,25% em três reuniões (março, abril e junho), e passou a admitir pausas. O Focus vê 14,00% no fim de 2026 e 12,00% em 2027.
  • O câmbio projetado pelo Focus está em R$ 5,20. Entre os bancos, a faixa vai de R$ 4,90 (BTG) a R$ 5,30 (Itaú).
Leitura Magma

O estímulo fiscal sustenta a atividade, mas mantém o juro alto e a curva longa pressionada. Para quem vende empresa, o ciclo eleitoral pede processo bem preparado e cronograma realista; para quem compra, mais proteção contratual.

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Atividade de M&A: menos transações, cheques maiores

Até maio, o Brasil somou 499 transações e R$ 149,1 bilhões. O número caiu um terço, mas o capital mobilizado cresceu, puxado por operações estratégicas de grande porte.

Em todas as leituras do semestre, o número cai e o valor sobe

Número de transaçõesValor movimentado1T26 Brasil: -43%−43%1T26 Brasil: +114%+114%1T26 BrasilJan–mai/26 Brasil: -34%−34%Jan–mai/26 Brasil: +9%+9%Jan–mai/26 BrasilPE América Latina, jan–mai: -15%−15%PE América Latina, jan–mai: +113%+113%PE América Latina, jan–maiVariação contra o mesmo período de 2025. 1T26 em US$ (Aon, TTR Data e Datasite); jan–mai em R$ (TTR Data);private equity regional em US$ (TTR Data e Datasite).
Fontes: TTR Data; Aon, TTR Data e Datasite.

Volume vs. qualidade

  • Até maio, o número de operações caiu 34% e o capital subiu 9% (TTR Data). Só em maio foram 62 deals e R$ 19,4 bi.
  • A KPMG registrou 318 transações no 1T26: queda de 26% em número e alta de 400% em valor, com megadeals em telecom e transformação digital.
  • Os Estados Unidos lideram os investimentos no país, com 54 aquisições até maio.
  • O Brasil respondeu por cerca de 65% do valor de M&A da América Latina no 1T26.

Valuation gap e proteção de risco

  • Selic a 14,25%, juros longos pressionados e eleição indefinida ampliaram a distância entre preço pedido e oferecido.
  • Ferramentas que destravam acordos: earn-outs, escrows, seguros de R&W e cláusulas MAC entre assinatura e fechamento.
  • A volatilidade do petróleo e do câmbio reforçou mecanismos de ajuste de preço por capital de giro e dívida líquida no fechamento.

Setores em destaque

SetorSinal do trimestre
Real EstateSetor mais ativo no ano, com 81 transações até maio (TTR Data)
Tecnologia e Software78 transações até maio; IA e automação entre os motores de valor (TTR Data e KPMG)
Minerais críticosUSA Rare Earth fechou acordo para comprar a Serra Verde (terras raras, GO) por cerca de US$ 2,8 bi, em 20 de abril
Agro e BioenergiaAmaggi assinou em maio a compra de 40% da FS, líder em etanol de milho, em operação submetida ao Cade
Telecom e Infraestrutura DigitalTIM concluiu em maio a compra dos 51% restantes da I-Systems (fibra óptica) por R$ 947 milhões

Apetite dos investidores

  • Private equity: seletivo e focado em escala. Na América Latina, foram 58 transações e US$ 9,4 bi até maio: −15% em número, +113% em valor (TTR Data e Datasite).
  • Estratégicos: lideram os grandes negócios, financiando com balanço próprio e buscando verticalização e segurança de suprimento.
  • Estrangeiros: o Brasil foi visto como vencedor relativo no choque de energia, o que sustentou o interesse em ativos de commodities, energia e infraestrutura.
  • Middle market: concentra as oportunidades, com múltiplos de entrada mais atrativos e menor concorrência por ativo.
Leitura Magma

O capital existe, mas está concentrado em ativos com tese clara. Empresas com governança, demonstrações auditadas e capital de giro bem definido fecham mais rápido e com menos ajustes de preço.

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Matriz comparativa de projeções consensuais

Os bancos convergem em PIB perto de 2% e inflação acima do teto, mas divergem na Selic terminal (13,75% a 14,25%) e, sobretudo, no câmbio: R$ 0,40 separam a projeção mais otimista da mais conservadora.

Indicador econômico (2026)Itaú UnibancoBradesco / BTGXP / J.P. MorganFocus (29/jun)
Crescimento do PIB2,1%2,0% / 2,0%2,0% / —1,99%
Inflação (IPCA)5,4%5,3% / 5,3%5,5% / —5,33%
Taxa Selic (fim de ciclo 2026)14,00%13,75% / 14,25%14,00% / —14,00%
Câmbio (USD/BRL, fim de 2026)R$ 5,30R$ 5,00 / R$ 4,90R$ 5,00 / —R$ 5,20
Dívida líquida (% PIB)—— / 68,7%— / —67,9% realizada¹
Dívida bruta (% PIB, projeção)82,8%82,7% / 80,9%83,3% / ——
  1. Dado realizado de maio de 2026, divulgado pelo Banco Central em 30 de junho; não é projeção do Focus.
  2. Datas das projeções: Itaú, 26 de junho; Bradesco, 29 de junho; BTG, 10 de junho; XP, 3 de junho.
  3. O J.P. Morgan não divulga grade completa ao público. No trimestre, manteve recomendação overweight para ações brasileiras, com meta de 190 mil pontos para o Ibovespa no fim de 2026.

Onde estão as divergências

  • Selic: o BTG vê o ciclo encerrado em 14,25% já em junho; Itaú e XP esperam um último corte, para 14,00%; o Bradesco vê dois cortes, até 13,75%.
  • Câmbio: BTG, XP e Bradesco apostam no superávit do petróleo para sustentar o real (R$ 4,90 a R$ 5,00). O Itaú vê depreciação a R$ 5,30, com petróleo mais barato, Fed duro e eleição.
  • Inflação: todos acima do teto de 4,50%; a XP é a mais pessimista, com 5,5%.
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Recomendação de alocação por classe de ativos

A visão consolidada dos research no fim do 2T26 é de renda fixa como prioridade, com bolsa seletiva e posição tática em ativos que ganham com a queda do prêmio de risco.

ClassePosiçãoRacional
IPCA+ (NTN-B)SobreponderarJuros reais em níveis historicamente altos e proteção contra choques de oferta; prioridade nas carteiras da XP para o 2º semestre
Pós-fixados (CDI)SobreponderarSelic de 14,25% remunera bem a liquidez e preserva opcionalidade para a volatilidade eleitoral
Ações defensivasNeutro a sobrep.Energia elétrica, saneamento e telecom: caixa previsível e dividendos em ambiente de juro alto
Bolsa brasileira (visão J.P. Morgan)OverweightMeta de 190 mil pontos para o Ibovespa; Brasil como beneficiário relativo do choque de energia
Ações domésticas cíclicasSeletivoFim próximo dos cortes da Selic limita o ganho com juros; preferir balanços desalavancados
Internacional (Tech/IA)ManterInvestimento em IA segue como motor de lucros; Fed com viés de alta pede seletividade
FIIs de papel (high grade)PreferirRecebíveis indexados ao IPCA capturam o juro real; preferência citada pela XP
FIIs de tijoloCautelaTaxa de desconto elevada pressiona o valor dos imóveis
Commodities (energia e agro)TáticaPetróleo devolveu o prêmio de guerra; El Niño forte é risco para grãos em 2027
Gatilho a monitorar

O Copom de agosto e as pesquisas eleitorais. Um último corte com expectativas estáveis abre espaço para ativos sensíveis a juros.

Risco principal

Rompimento do acordo EUA–Irã com nova alta do petróleo, combinado a um Fed que confirme a alta de juros sinalizada no dot plot.

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Fontes utilizadas

Relatórios e publicações de análise econômica, política e de transações corporativas divulgados entre abril e junho de 2026.

  • Itaú UnibancoItaú Macro Research, Revisão de Cenário de 26 de junho
  • BradescoDepartamento de Pesquisas e Estudos Econômicos, revisão de 29 de junho
  • BTG PactualBTG Macro Strategy, Cenário Macro de junho de 2026
  • XP InvestimentosXP Macro, relatório mensal de junho e Onde Investir no 2º semestre
  • J.P. MorganLatin America Equity Strategy
  • Banco Central do BrasilBoletim Focus, comunicado do Copom de 17 de junho e Estatísticas Fiscais de maio
  • Federal ReserveComunicado do FOMC e Resumo de Projeções Econômicas de 17 de junho de 2026
  • FGV IBRESondagem da Indústria de junho
  • IBGEContas Nacionais do 1T26 e IPCA de maio
  • DatafolhaPesquisa de intenção de voto para presidente, junho de 2026
  • TTR DataRelatórios de M&A Brasil e América Latina até maio de 2026
  • KPMGPesquisa Trimestral de Fusões e Aquisições, 1T26
  • Aon, TTR Data e DatasiteRelatório de M&A na América Latina, 1T26

Conteúdo informativo elaborado pela Magma Transações Societárias a partir de relatórios públicos de instituições financeiras. As projeções refletem a posição das respectivas instituições em junho de 2026 e podem ter sido revisadas depois. Este material não constitui recomendação individual de investimento.